Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Novo Blog

Esse post tem a única finalidade de informar aos leitores que o blog mudou e endereço.
Espero você por lá!

Túnel do Tempo com Lapso de Memória

Por esses dias, a minha eterna sede de saber se uniu à vontade de descansar as pernas, que já haviam caminhado muito pelos corredores do Congresso Nacional, fazendo com que, entre uma missão e outra do meu trabalho, eu fizesse uma pausa.

O local escolhido para o alívio foi o "Túnel do Tempo", passagem subterrânea que liga o Plenário do Senado aos gabinetes dos senadores, e abriga a exposição “O Senado Brasileiro – do Império à República”, que mostra a história do Senado Federal desde sua criação até os dias de hoje. Lá, eu pude descansar as pernas e, ao mesmo tempo, colocar meus neurônios para se exercitarem com flexões e analises de trechos muito pesados da nossa História.

O “Túnel” tem de tudo: imagens das primeiras instalações do Senado, carta em que a Princesa Izabel assinou a Lei Áurea, bustos de várias personalidades que marcaram nossa história, diversos painéis, entre os quais dou destaque ao que representa a Revolução de 1930 e, ainda, diversas outras riquezas que valem à pena serem vistas.

Pois bem. Eu, como paraibano nato e altamente interessado pelos nossos causos e histórias, resolvi redobrar a atenção ao que dizia o painel sobre 30 e, pasmem (!), deparei-me com um incrível descaso.

No painel, observa-se a diagramação de um texto dividido em três colunas. Acontece que, no texto ali inserido, a segunda coluna não dá continuidade ao conteúdo da primeira, tornando, assim, o texto sem sentido. Documentei em fotos para que todos pudessem testemunhar esse desleixo.

É importante atentarmos para o fato de que só em 2008, o Congresso Nacional recebeu cerca de 140 mil pessoas que percorreram suas principais dependências em visitas conduzidas por monitores. O que nos leva a crer que, desde a sua fundação, o Congresso já recebeu muito mais de um milhão de visitas.

Acredito que esses painéis que ilustram o corredor mais importante da mais alta casa legislativa do País merecem atenção redobrada para não continuar no absurdo de conter falhas.

Espero que essas observações sirvam de exemplo para que todos nós possamos dar mais atenção ao que nos rodeia. Dessa forma fortalecemos nossas memórias.

Fiquem com Deus!

PS: Para uma melhor visualização do acima descrito, encaminho em anexo várias imagens que provam o que aqui foi dito.


Imagem completa do painel sobre a Revolução de 1930
Coluna 01

Coluna 02

Coluna 03

Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

O Gigante das Letras

Acredito que todo mundo já ouviu falar na história do Gulliver, aquela que narra o estremecer da terra dos pequenos com a queda de um gigante. Pois é, a Paraíba estremeceu nesses últimos dias com a morte do gigante das letras, Luís Augusto Crispim.

Gigante na cultura, na sensibilidade, na inteligência, na comunicação, no direito, nas amizades e até mesmo nos seus 1,90 m de altura.

Não tive-o como próximo, mas sempre o vi próximo dos meus. Próximo do meu avô Higino, dos meus tios e, principalmente, do meu pai, Hilário Vieira Filho, a quem prestou uma bela homenagem na ocasião de sua morte com uma belíssima crônica publicada no Correio da Paraíba, intitulada “Hilário de La Mancha”.

Nessa crônica, Luís Augusto comparou Don Hilário ao famoso personagem de Miguel de Cervantes que entrega-se à leitura de romances, perde o juízo, acredita que os romances são verdadeiros e decide tornar-se um cavaleiro andante. A sensibilidade de enxergar o velho Hilário sob esse prisma jamais me foi esquecida. Realmente, o juízo do meu Pai era baseado em cima das horas de leitura que lhe alimentavam a alma e traziam para si a sagacidade do intelecto e a espontaneidade do bate papo noturno inesquecível que ainda é vivo nas lembranças de muitos.

Esse vínculo de conceito paternal que relaciona minhas lembranças ao velho Luís Augusto se dá pelo carinho que sinto por seu filho Lula. A vida não nos fez muito próximos, mas nas vezes em que nos encontramos o orgulho que sentimos da amizade dos nossos Pais é o assunto principal.

Imagino como Lula e sua família estão se sentindo. A dor é imensa, o buraco no peito é gigante e sobra chão pra pouca perna. Falo isso com a propriedade de quem já passou por essa provação do destino e afirmo, ainda, que o mais importante nessas horas são os ombros amigos. Quando da minha vez incorporei o pensamento de que só me restava a responsabilidade de um legado a seguir e uma imensidão de amizades para cultivar. Faço votos que consigas fazer o mesmo.

Lula, desejo a você e a sua família muita força, luz e paz de espírito nos vossos corações. Orgulhem-se do vosso gigante que jamais será subtraído dos corações e mentes dos paraibanos e acreditem que o descanso foi uma dádiva, não uma penitência.

Fiquem com Deus!

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

FHC e as Medidas Provisórias


Na última terça-feira (18), tive a honra de participar da abertura de mais um ciclo de debates promovido pelo Instituto do Legislativo Brasileiro – Interlegis, onde o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso foi o grande protagonista. Sua palestra teve como principais temas O Papel do Parlamento nas Democracias Contemporâneas, a Crise de Representatividade do Legislativo Brasileiro e a Pluralidade de Instâncias Normativas.

O evento foi aberto pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, que ressaltou a grande importância e competência do ex-presidente para falar dos temas sugeridos e, principalmente, discorrer em torno das sempre polêmicas Medidas Provisórias. “Não consigo refrear o meu ímpeto ao fazer uma cobrança que já fiz várias vezes ao atual presidente da República e o senhor não vai escapar dela. Vossa Excelência esteve dos dois lados: do lado dos que sofreram com as medidas provisórias, quando foi senador, e quando fez uso delas, em sendo presidente”, falou Garibaldi.

Fernando Henrique começou sua palestra destacando o prazer que sentia ao voltar a caminhar nos corredores do Congresso Nacional, pois a última vez que o tinha feito aconteceu na posse do seu segundo mandato como Presidente da República; e continuou se reportando ao período em que foi convidado para ser relator da Constituinte, junto do atual ministro Nelson Jobim, para, em síntese, fazer as regras gerais de como funcionaria a Constituição. Nesse contexto, lembrou também das várias decisões deliberadas pelo parlamento brasileiro que definiram o modelo de sistema que temos hoje.

Para Fernando Henrique, o contexto da época gerou alguns equívocos que podem ser corrigidos com o binômio tempo e vontade política. “A constituição anterior a de 1988, que foi criada num regime autoritário criou a possibilidade do voto distrital. De imediato os constituintes de 88 criaram o sistema proporcional com todas as suas atuais características, pois, de toda, maneira era mais democrático e possibilitava uma maior influência do eleitor sobre o eleito enquanto que o voto distrital estava sempre fadado ao risco de uma oligarquização - o controle sobre o eleitorado poderia aumentar demasiadamente. Até poderia ter sido assim na época de prevalência da vida rural sobre a vida urbana; na época, foi esse o argumento que se utilizou. Mas, felizmente, o Brasil mudou muito. Já é hora de repensar nosso sistema eleitoral”, enfatizou.

Um dos principais aspectos abordados foi a suposta responsabilização dos constituintes sobre os alguns atropelos naturais na criação da Constituição, onde nos definiram como uma Federação com um Sistema pluripartidário que segue regras que terminaram gerando um presidencialismo de colisão. No contexto, FHC defende abertamente a reforma política: “Nós elegemos de forma direta o Presidente da República ao mesmo tempo em que temos muitos partidos onde seus parlamentares são eleitos em vistas proporcionais. Cada candidato vai buscar seu voto individualmente, mesmo sendo do mesmo partido competem entre si e, quando chegam ao parlamento, estão muito fragmentados, pois o maior adversário do candidato é o próprio companheiro de partido por causa da matemática dos votos que define os eleitos”. Ou seja, foi criado um sistema extremamente difícil na concepção de maioria. Criou-se um sistema que requer um executivo capaz de formar aliança no congresso para garantir sua governabilidade. O voto popular, em sua maioria literal, nem sempre assegura ao parlamentarco direito de representação. “Isso é esdrúxulo, mas acontece em todo o mundo. Com o tempo constatou-se que para esse complexo sistema funcionasse era necessário que o Executivo tivesse mais capacidade de iniciativa e pudesse gerar uma maior celeridade nos processos. É aí onde entram as Medidas Provisórias para dar agilidade nos atos do Executivo, mas que precisam respeitar algumas limitações. Medidas semelhantes constam de todas as constituições do mundo, com uma ou duas exceções. O problema não é o instrumento em si, mas sim como é utilizado”.

FHC ressaltou que num sistema presidencialista como o brasileiro, é muito difícil para o governo obter maioria do Congresso e diante da eterna pressa da sociedade por uma resposta e, ainda, da ânsia do Governo em responder, lança-se mão da Medida Provisória. “Fui eleito e reeleito, o Presidente Lula foi eleito e reeleito, mas nunca conseguimos a maioria do Congresso”.

O ex-presidente também lembrou que no início as MP`s só valiam por 30 dias; em seguida, veio uma permissão que possibilitou a reiteração das MPs por mais 30 dias; e, por fim, chegou-se à permissão para mudança no texto da Medida Provisória trazendo consigo uma total insegurança jurídica coletiva. O presidente não só podia emitir as MP’s como mudá-las a cada 30 dias. Isso era extremamente arbitrário e perigoso no ponto de vista da estabilidade da regra jurídica e fez com que viesse a tona uma série de tentativas de modificação desse processo. No final do seu mandato, em 2001, houve um forte levante no Congresso em prol dessas mudanças que resultou na formatação atual de relação ente o Executivo e o Legislativo.

O ex-presidente reconheceu que por vezes utilizou desse instrumento de forma autoritária e justificou-se dizendo que a culpa não é somente do Presidente, mas sim de todo o Executivo, pois os setores do Governo querem pressa e a primeira solução dada é sempre a MP. E ainda foi além: Disse que a MP foi virando um hábito que até mesmo o Congresso aceitou em nome da celeridade das decisões.

Acontece que, no entendimento de FHC, a última mudança feita na regulamentação das MP’s foi infeliz: “Em 2001, quando foi aprovada a Emenda Constitucional, eu imediatamente refleti e cheguei à conclusão de que, nesse caso, a emenda saiu pior que o soneto. Agora sim, conseguiram parar o Congresso. O Presidente, legitimamente, pode emitir quantas MP’s quiser e, se o Congresso não votar, a pauta fica presa até que se vote”. É isso que estamos vivendo hoje.

Como não poderia deixar de ser, FHC lembrou do Plano Real como filho de uma MP que só virou Lei cinco anos depois. “Não fosse uma MP, jamais tínhamos alcançado a estabilidade econômica no Brasil”. As MPs não são de um todo ruins.

Por fim, como político, disse que não enxerga um futuro catastrófico para nossa sociedade, mas pede atenção ao afirmar que “É possível corrigir os equívocos da engenharia institucional contemporânea especificando e restringindo as situações em que essas Medidas podem ser emitidas e dando maior credibilidade e autonomia ao Congresso”. Como sociólogo, ressaltou que o problema não é apenas de engenharia institucional, mas sim da cultura política que historicamente carregamos. A política do mandonismo, dos mandões - uma espécie de permanente reverência a quem chefia. “Isso é histórico, tradicional, vem desde o Império. Temos que resolver esse problema de herança mental. O chefe de Estado tem que perceber que está acima dos partidos e olhar pro interesse coletivo nacional. Tem que tomar consciência sobre qual o limite que ele próprio tem que se impor”.

Despeço-me parafraseando o Ex-Ministro Gilberto Gil quando, no refrão de uma de suas canções, diz: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar!...”

Fiquem com Deus!

Domingo, 16 de Novembro de 2008

Lei contra o estudante

Caros Amigos, Tramita no Senado um Projeto de Lei que visa acabar com o benefício da meia entrada das carteiras de estudante nos fins de semana e feriado - PLS 188/2007.

Acredito que esse assunto é de grande importância e nós não podemos ficar quietos.

Ora, se a Carteira Estudantil, que já não é muito respeitada, perder sua validade nos fins de semana e feriados, em que dia o estudante irá ao cinema?

Com a aprovação desse projeto o estudante terá que perder aula para frequentar o teatro ou ver um filme!?

Esse projeto é inadmissível.

Podemos mostrar nossa indignação diante desse projeto fazendo pressão junto ao Senado usando as mídias que são disponibilizadas para que os cidadãos brasileiros se manifestem, como o Alô Senado (0800-61-2211) ou através do questionário da web no endereço: http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/?page=alo_sugestoes&area=alosenado

Não podemos deixar de fazer um levante de incentivo pela internet. Convidando o máximo de pessoas para que participem e repassem essa idéia.

É só ligar 0800-61-2211 e dizer:

"Gostaria de manifestar minha opinião desfavorável à aprovação do PLS 188/2007 e quero enviar essa manifestação para todos os senadores".

As ligações podem ser feitas de todo o Brasil, inclusive de celular.

Não custa nada!

Grande abraço a todos

Domingo, 2 de Novembro de 2008

O que será de nós em 2030?

Esta semana tive a honra de conhecer um estudante venezuelano, de apenas 23 anos, que hoje é um dos principais líderes da oposição ao governo do presidente Hugo Chávez, na Venezuela. Atualmente, Yon Goicoechea é voz determinante à frente do movimento estudantil venezuelano e é considerado por cientistas políticos de todo o mundo como sendo peça fundamental na derrota de Chávez no referendo que lhe teria conferido mais poder e restringido, ainda mais, a liberdade dos venezuelanos, no final de 2007.

Yon Goicoechea participou da abertura do II Encontro Nacional da Juventude Democratas como o palestrante mais esperado. Todos os presentes queriam beber um pouco dos relatos da extraordinária experiência do universitário que conseguiu levar multidões às ruas de Caracas para derrubar Chávez. Por sua luta em prol da democracia, Goicoechea recebeu o prêmio Milton Friedman 2008 do Cato Institute que, a cada dois anos, premia um indivíduo que tenha feito uma contribuição relevante pelo avanço da liberdade no mundo. Sua palestra foi sensacional e trouxe, para os mais de 400 jovens de todo o Brasil que estavam presentes, um relato emocionante sobre como a ideologia de um pequeno grupo pode crescer e tomar conta de um país.

Seu discurso girou em torno da necessidade que o povo do seu país tem da liberdade, ressaltou a igualdade baseada nos direitos humanos básicos, falou sobre o racismo exacerbado implícito na política de cotas para negros, lembrou da corrupção extrema que atualmente toma conta da Venezuela, enfatizou a importância da sincronia de discursos e idéias e, ainda, valorizou a política através de expressões distintas e com base no respeito à pluralidade absoluta.

Goicoechea prega que a América Latina tem que incorporar o pensamento de que a liberdade não tem um conceito econômico, mas sim humanista; e prosseguiu polemizando ao dizer que a luta pela democracia no seu país é relativamente fácil e que difícil mesmo é lutar contra conceitos e paradigmas já assimilados e estabelecidos nos países que têm a sua democracia declarada.

O evento que aconteceu sob o tema “Reformas Já - o Brasil que queremos” foi brilhantemente conduzido pelo Deputado Federal e presidente da Juventude Democrata, Efraim Filho, que lembrou os números preocupantes que mostram que esse ano houve uma grande baixa no número de jovens que tiraram o título de eleitor, falou das dificuldades de mobilização de massa em nosso país em conseqüência das nossas dimensões continentais, mas, acima de tudo, comemorou o recorde de eleição de vereadores, prefeitos e vices com menos de 33 anos. Ao todo, 1.215 eleitos esse ano em todo o País.

Dentre os presentes estavam jovens representantes de 25 dos 27 Estados da Federação, o governador em exercício do Distrito Federal, Paulo Octávio, os deputados Paudernei Avelino e Nilmar Ruiz, o secretário da Educação do Distrito Federal, Alceni Guerra e o diretor do instituto Friedrich Naumann, Rainer Erkens.

Foi, com certeza, um evento que tatuou em todos os presentes um sentimento de responsabilidade coletiva e o repúdio à inércia que o nosso país se encontra diante dos escândalos e vergonhas que todo dia são estampados nos noticiários. O engajamento das forças jovens no cenário político atual é a grande esperança de inserção de credibilidade, planejamento, unidade, idealismo e resultados concretos em nosso futuro.

No mais, me despeço deixando para vocês uma questão que foi tema de debate no evento: Como você pode contribuir e como você acha que será o nosso país em 2030? – Reflitamos.

Boa semana a todos e fiquem com Deus!

Domingo, 12 de Outubro de 2008

PAREI DE FUMAR !!!

No dia 12 de outubro, além de ser comemorado o dia da padroeira do nosso País, Nossa Senhora Aparecida, comemora-se também o dia das crianças - Data puramente comercial para dar fim aos brinquedos que se acumulam durante todo o ano nos estoques das lojas do ramo. Nesse dia, hoje, me dei conta do quão velho estou ficando. Já estou beirando os trinta e só quem recebe presentes em minha casa nessa data é minha sobrinha Ana Emília que, embora ainda tenha três anos, nesses dias estará maior e mais esperta que eu, visto que a velocidade do andar da carruagem do tempo aumenta a cada dia.

Levando em consideração o alvoroço com que os fatos andam ocorrendo no mundo contemporâneo, resolvi parar e pensar num presente que poderia dar a mim mesmo nesse dia que é dito especial. - Que tal alguns anos a mais de vida?

Pois bem, resolvi me dar este presente. Para tomar essa decisão não pensei só em mim, mas também no amanhã que se aproxima e que poderei compartilhar com a minha sobrinha e também com os filhos que eu possa vir a ter. Como conseguir tal façanha?

Parei, acendi um cigarro, pensei e me dei conta que com 28 anos de idade já sou fumante há 15, ou seja, minha idade está tão avançada que até para a Souza Cruz já começo a dar os primeiros passos para a vida adulta. Como fumante, já sou adolescente.

Diante da contradição que urge entre a vivacidade e o tabagismo resolvi incorporar os verdadeiros sentimentos incompreensíveis dos adolescentes e revoltei-me contra mim mesmo. Resolvi parar de fumar. Mas, como todo adolescente que se preza, tomei a minha decisão definitiva me resguardando para o caso de ter que voltar atrás. Calma, não é fraqueza: Todos sabem que não se confia em palavra de viciado. Na volta pra casa, comprei um maço do meu velho amigo Carlton Red que desde então continua lacrado e, agora, estou naquela paranóia de que vença o mais forte!

Confesso que nunca fui dos mais simpáticos, mas depois de encarar esse desafio reconheço: Estou mais chato que nunca. Graças a Deus tenho um neuropsiquiatra dentro de casa para justificar aos próximos essa minha chatice crônica. Por favor, me entendam, mesmo sendo uma decisão voluntária requer muito esforço.

No mais, vou parando por aqui com o pensamento de que o próximo passo será entrar na academia de ginástica. Será!? Os que melhor me conhecem devem estar pensando: Ei! Quem é você que está escrevendo! Chama aí o verdadeiro Higino!

- Calma, calma! Sou eu mesmo. Um pouco mudado, porém com a mesma essência. Agora, pergunto a vocês: - Quanto tempo durará esse repúdio à nicotina? Façam suas apostas!

A seguir cenas dos próximos capítulos ... (rss...!)

Sábado, 11 de Outubro de 2008

Entre Aspas

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.

Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.

Não me façam ser quem não sou.

Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira.

Não sei voar de pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre."

Clarice Lispector

Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Quem Perdeu Foi o Povo

Caros amigos,
Em tempos de eleições municipais, trago para reflexão um artigo escrito pelo Dr. Hilário Vieira Filho, na ocasião de sua candidatura a vereador nas eleições municipais de 1996.
Espero que todos alcancem a mensagem das entrelinhas e que pensem direitinho no voto a ser dado no próximo domingo.
Fiquem com Deus!
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Quem Perdeu Foi o Povo

por Hilário Vieira Filho, Advogado e Economista (in memorian)

Eu estava quieto na minha casa da Praça da Independência, quando alguns amigos puseram na minha cabeça a idéia de me candidatar a vereador nas eleições municipais de 1996. Com quase dez anos de filiação no PMDB, julguei-me credor da atenção daquele Partido, ao qual entrei pelos braços do meu contraparente e amigo Haroldo Coutinho Lucena.

As dificuldades começaram justamente, a partir da colocação do meu nome na relação dos candidatos, com a maioria destes, alegando que eu não tinha densidade eleitoral, não era conhecido no meio do povo e, apesar do curriculum vitae apresentado, contendo dois diplomas de nível superior e alguns títulos de extensão universitária, afora certa experiência profissional, assinalando passagem pela direção da SAELPA e outras entidades locais, de nada serviria para a homologação do mesmo na Convenção do Partido... Eu tinha o grande defeito de saber ler e escrever, além de contabilizar a meu favor um passado de luta e honestidade. Assim, num dia meu nome aparecia na lista dos candidatos, noutro, fora dela, num vaivém que mais tarde ficou comprovado como uma manobra para desestabilizar a candidatura que começava a tomar alguns contornos e provocar certa inveja por parte de alguns candidatos inseguros àquela altura quanto a eleição, já que era visível o desgaste dos mesmos perante o povo. Suei a camisa para conseguir a homologação do meu nome na Convenção do Partido, tendo que me apegar com as suas lideranças mais expressivas, chegando quase a mendigar uma vaga na relação definitiva dos candidatos... Tudo isso porque meu curriculum se recomendava, sendo possuidor de uma ficha limpa.

Só Deus sabe a 'via-crúcis' percorrida por mim, para figurar naquela lista de notáveis. Não fosse a interferência do secretario geral do diretório municipal do Partido, que ameaçou renunciar ao cargo, e de alguns amigos dedicados, aos quais sou grato para o resto da vida, o meu nome teria sido sacrificado as vésperas da Convenção, aumentando a minha decepção diante daqueles aos quais havia telefonado para, no dia seguinte, formar a torcida no Clube Astréa. Ficou comprovado que para alguém vencer, numa situação como aquela, teria que possuir 'punhos de aço e consciência de borracha'. Aprovado o meu nome, marchei para a luta, que logo percebi ser desigual e traiçoeira.

Começaram por me afastar do povo, insinuando que o meu Comitê era no Restaurante Adega do Alfredo, e que a imagem que eu passava para aquele era a de ser um apreciador do Rum, como se ninguém do Partido freqüentasse aquela requintada casa de pasto ou deixasse de tomar Whisky, este sim, mais distante do povo. Por uma questão de personalidade, não mudei minha maneira de ser, continuei freqüentando a noite da mesma forma e na companhia dos amigos de sempre. Enquanto isso, comecei a receber em minha casa a visita dos eleitores, pleiteando este ou aquele favor. Um deles chegou a me pedir um marca-passo, levando o meu fraterno amigo Luiz Augusto Crispim a escrever uma bela crônica a respeito do fato, suscitando o riso de muita gente. Cheguei a desaconselhar eleitor a votar na minha pessoa, por ser caro o seu voto, o que não deixa de ser um fato inédito na política local. Comecei minha campanha com um discurso de primeiro mundo, dizendo que era contra a poluição sonora e visual, contra o barulho ensurdecedor dos trios elétricos e a promiscuidade das barracas, na elegante praia de Tambaú, por uma questão de convicção e sem demonstrar subserviência ao voto de quem pensava única e exclusivamente no interesse próprio.

Ao invés de seguir a pesquisa, segui a minha consciência. Cheguei a dizer em alto e bom som, em programas de radio e televisão, que não tinha interesse em enganar o povo, porque tinha vergonha na cara... Não recorri a agencias de propaganda política para maquiar a minha imagem... Não pichei muro, nem usei carro de som por uma questão de coerência. Quis dar o próprio exemplo antes das eleições, o que não foi percebido pelos eleitores. Fui boicotado no próprio Guia Eleitoral. Gravava uma mensagem, geralmente feita de improviso, com a linguagem do coração, destituída de todo e qualquer artificialismo, e esta ia para a ar com muita dificuldade, depois de vários telefonemas para os responsáveis pelo programa.

Quantas vezes fiquei de olhos grudados na televisão e ouvido ao pé do radio à espera da mensagem que nunca a chegou... Nem mesmo a casa situada a Praça da Independência, encostada a minha residência, que cedi gentilmente, ao então candidato a prefeito Cícero de Lucena Filho, para ele instalar seu Comitê Jovem, serviu de apoio para a minha modesta campanha, ao contrário do que muita gente pensou. Recordo-me que logo no inicio do movimento jovem, meu filho chegou a distribuir alguns santinhos naquele Comitê, tendo sido censurado pelos seus dirigentes... A ordem era para tratar todos os candidatos a vereador em condições de igualdade, o que, diga-se de passagem, não ocorreu na prática. A única ordem que permaneceu foi a minha de manter o meu filho distante do Comitê, para não parecer aos demais candidatos que estava tirando proveito da situação.

Participei de alguns comícios. Um deles, em Cruz das Armas, onde quase fui jogado ao chão por um candidato que queria sair em todas as fotos ao lado de Cícero, recém-chegado nos braços do povo, e que por coincidência havia ficado vizinho a mim. Diante desse fato, fui forçado a descer do palanque e por instinto de conservação, ficar do lado do povo. Outro comício do qual participei foi no Valentina Figueiredo. Tive pena do povo faminto. Sai na metade do mesmo, com a convicção de que poderia ajudar esse povo se fosse eleito, apresentando na Câmara, projetos de elevado alcance social.

O discurso que não fiz foi o mais sincero. A minha ausência foi a maior presença. Pena que o povo não tenha entendido. Continuei na luta assim mesmo. Tive gratas surpresas e grandes decepções ao longo da campanha que foi se desenvolvendo, até chegar o dia das eleições com o resultado conhecido de todos. Tive 434 votos... de pessoas que votaram por amizade e admiração. Votos gratuitos, espontâneos, brotados do coração. Tanto assim, que não senti falta daqueles que por traição, vingança ou inveja, foram canalizados para outros candidatos, igualmente merecedores da vitória, uma vez que não sou político profissional, nem pretendo subir na vida, utilizando o povo como degrau!

*Artigo publicado em todos os jornais paraibanos poucos dias após a divulgação do resultado daquele pleito

Segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

Muito Além do Jardim

O filme Muito Além do Jardim conta a história de um jardineiro que foi criado dentro de uma mesma mansão durante toda a vida, sem jamais ter contato externo. Certo dia, o velho dono da mansão morre e o jardineiro é despejado. Ao ter que sair, veste uma boa roupa do falecido patrão, apanha poucos pertences e sai para as ruas pela primeira vez. O fato de não conhecer outras pessoas e de não conhecer a rua fez com que destoasse das regras de condutas habituais da sociedade, tudo para ele era muito natural, puro e ingênuo. Seu único vício era a televisão.

Chance, o jardineiro, mal sabia falar e não sabia ler ou escrever. Não compreendia conceitos como alegria, tristeza, ciúmes ou amor. A inocência era tamanha que certas vezes puxava o controle remoto da TV do bolso para tentar resolver problemas que a vida externa lhe impunha.

Por um golpe de sorte, ele vai parar na casa de um empresário rico e politicamente poderoso que possui uma esposa bem mais jovem. Ambos ficam encantados com aquele homem simples e de sinceridade assombrosa. Por falar pouco, se vestir bem e ter modos educados, é confundido com um integrante da alta sociedade que passa por maus momentos financeiros. Ele se apresenta como “Chance, o jardineiro”, e as pessoas entendem “Chauncey Jardim”, nome pomposo que condiz perfeitamente com seus modos supostamente excêntricos.

O enredo consiste basicamente em uma série de testes que confrontam Chance com a possibilidade da realidade sobre ele ser descoberta. No entanto, as pessoas ficam encantadas de estar frente a frente com alguém tão franco e suas palavras passam a ser interpretadas metaforicamente, de tal forma que ele passa ser visto como um gênio e os seus conceitos sobre jardinagem transformam-se em metáforas, perfeitamente adequadas para a realidade dos que o circundam.

Chance fala em flores, árvores e estações do ano, mas não tem a menor noção do que significa metáfora. Todos os seus depoimentos são literais, mas as pessoas insistem em ver significados ocultos onde não há nenhum. As palavras de Chance chegam até a inspirar um discurso do presidente norte-americano, que andava preocupado com uma recessão econômica.

As entrelinhas do filme são riquíssimas em mensagens que devemos levar para o nosso cotidiano que vão desde o desdenho da pessoa humana desconhecida até a supervalorização conveniente do que está ao nosso redor.

O filme nos faz refletir sobre nossas atuais convicções e sobre os valores que damos às pessoas, mesmo quando sabemos pouco sobre elas. É preciso ir mais a fundo nos conhecimentos e não deixar que a carência do nosso subconsciente crie mitos sobre outrem.

O final do filme é um enigma a parte. A última cena é uma metáfora visual perfeita sobre o meio vazio em que Chance se meteu. O caminhar nas águas, confirmadamente profundas, logo após sua cotação para presidente do país mais poderoso do mundo contemporâneo, é a representação exata do endeusamento daquele simples jardineiro.
Vale a pena assistir!

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

Imagem e Ética na Era Digital

No dia 02 de setembro de 2008 tive a honra de participar de um evento que foi um verdadeiro divisor das águas da minha vida. De um lado estava o jornalista Mário Rosa e do outro o maior blogueiro do país, Ricardo Noblat. O evento era parte do Ciclo de Conferências da Universidade do Legislativo Brasileiro, Unilegis, no Senado Federal, e tinha por objetivo discutir o gerenciamento de crises provocadas, principalmente, pela intensa circulação de informações proporcionada pela Era Digital. A perda de credibilidade de pessoas e instituições, perante a opinião pública foi o grande foco das discussões.

Mário Rosa se formou jornalista pela Universidade de Brasília. Foi asssessor de imprensa de várias instituições e, ainda, traçou uma trajetória brilhante em veículos convencionais como a Revista Veja e a Rede Globo. Hoje, Mário se especializou numa espécie de pronto-socorro para vítimas da (má) comunicação. “Administrador de crises”, chamam uns. “Administrador de imagem”, prefere ele, na convicção de que seu trabalho é do tipo que, como sexo, é melhor antes do que depois.

Já Ricardo Noblat formou-se em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco. Passou pelo Diário de Pernambuco, Jornal do Comércio, Jornal do Brasil, revista Manchete, Veja, O Globo, Isto É, Correio Braziliense e A Tarde. Hoje, é um dos blogueiros mais respeitados do País e autor de vários livros na área de Jornalismo.

Em suma: Dois gigantes do jornalismo brasileiro.

Dentre os aspectos mencionados no evento, chamo atenção para a visão de que hoje em dia todos nós vivemos vigiados, há câmeras em todos os lugares, todos nós nos tornamos paparazzi em potencial; os celulares permitem isso. Um passo em falso pode ser registrado pelo mais improvável cidadão e, assim, jogar a reputação construída por toda uma vida no lixo. Vivemos todos num verdadeiro Big Brother. A comunicação do mundo contemporâneo é globalizada e para uma notícia correr o mundo bastam alguns segundos. A unidade de medida da distância da informação transcendeu dos quilômetros para os cliques.

A palestra do Mário Rosa foi excepcional. As considerações do Noblat, fantásticas. Foi o encontro perfeito, tal qual o encontro do joelho com o cotovelo do Pensador de Rodin, que dá a base de sustentação para a cabeça refletir sobre o mundo que nos cerca.

Devemos ter cuidado em tudo, não existe crime perfeito. Estamos vivendo um período de transição no qual os crimes dos bastidores da política estão sendo desvendados a todo instante. Certa vez, Noblat procurou o senador Ulysses Guimarães e comentou: - Senador, esse parlamentares de hoje estão muito ruins! E o grande Ulysses Guimarães respondeu: - Você só fala isso porque ainda não sabe quem serão os próximos!

Talvez, um dia, essa má sucessão acabe. A globalização da informação e a facilidade de registrar fatos podem se tornar fatores fundamentais para que a conjuntura não admita mais políticos desonestos. A fiscalização discreta e itinerante vai tirar estes políticos do poder gradativamente através de seus próprios erros.

Aí, vocês devem parar e perguntar: - E a privacidade?

De imediato já respondo: Isso é assunto para outro dia ...

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Conversa pra boi dormir

Certa vez, num desses vôos que a vida nos obriga a tomar, deparei-me com um cidadão no mínimo curioso que viajaria ao meu lado. Mal tomei assento e o cara já puxou assunto: - Você é paraibano!? Fiquei logo encasquetado, pois não sou muito aberto a diálogos em viagens, a não ser que seja um amigo, ou conhecido. Em sozinho, prefiro ler uma revista ou simplesmente dormir para o desconforto da jornada passar mais rápido. Como eu respondi objetivamente: - Sou!, e logo abri uma revista para não dar brecha ao diálogo, meu vizinho de poltrona teve que se contentar em viajar calado, dando-me oxigênio e espaço mental para passar a viagem sozinho, comigo mesmo.

Geralmente, quando se fica sozinho (mesmo sem estar), a mente viaja além da conta, e, sem sentir, me peguei refletindo sobre a facilidade que algumas pessoas têm de expor e resumir as suas vidas em tempos mínimos, com relatos dignos de um redator de cartões comemorativos.

Quem nunca entrou numa fila de banco e alguém puxou conversa lamentando-se do salário que é pequeno, do namorado da filha que não trabalha e usa brincos, da doença de algum parente e, muitas vezes, de sua própria doença?

Sem falar no colega distante que encontramos casualmente na rua ou nos corredores de algum shopping que, em menos de um minuto, consegue dizer que foi promovido (ou demitido), viajou na semana anterior, seu cônjuge lhe traiu, sua mãe faleceu e até que seu filho anda mal na escola.

Existem pessoas que exigem do cérebro alheio um talento taquígrafo excepcional para poder assimilar tanta informação em tão pouco tempo. O poder de síntese e a facilidade de se expressar dessas pessoas deveriam ser mais bem aproveitados. Quem sabe essas pessoas poderiam se tornar locutores de futebol ou, até mesmo, participar de um duelo de repentistas?

Como vitrolas ambulantes e com suas bocas alto-falantes, essas metralhadoras de palavras seguem pelo mundo transmitindo a certeza de que são bem resolvidos e jamais precisarão de uma terapia. Ledo engano, pelo menos a meu ver.

Acredito que quem fala demais e não tem receio algum de abrir sua vida para quem quer que seja somente demonstra carência e insegurança. Conversas descabidas em momentos inoportunos, para mim, são desleixos de personalidades infortunadas de aconchego.

Tornar-se borboleta, que aparece ao mundo com as asas na forma de um livro aberto, pode não ser a melhor opção. Guardemos nossas vergonhas e intimidades para que o mundo se torne mais misterioso. O mistério tem o seu encanto e o conhecimento do próximo tem que ser gradativo. Se não, perde a graça.

Reflitamos!

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Sensacionalismo tem limite!

É impressionante o que a imprensa é capaz de fazer com um cidadão de bem quando alguns interesses escusos de pessoas covardes são atingidos. O que vemos ultimamente estampado na mídia nacional é a mais pura demonstração da falta de peito dos que tem sua incompetência aflorada diante da hombridade e competência administrativa de um político que sempre honrou os cargos que ocupou e sempre ascendeu em todos os aspectos na sua carreira de homem público.

Nas últimas semanas a imprensa nacional achincalha o Senador Efraim Morais sem que sequer o mesmo esteja envolvido oficialmente ou tenha sido comprovado qualquer envolvimento de sua parte com os marginais protagonistas desta tal operação mão de obra.

O cargo de primeiro-secretário da casa é de grande responsabilidade, onde o parlamentar tem que se dividir em mais de mil para conciliar austeramente a administração da Casa e os interesses de seu Estado. O Senador Efraim tem feito isso com maestria e a sua competência parece estar incomodando muita gente.

Para dar início a minha exposição de fatos e motivos faço algumas indagações aos cidadãos paraibanos e de todo o país para que possam refletir e, diante de suas próprias respostas, possam tomar suas próprias conclusões.

Qual o senador mais atuante do nosso Estado? Qual o senador paraibano que até a criação desta pantomima das ultimas semanas nunca esteve envolvido em qualquer episódio de caráter duvidoso? Qual o único senador que teve peito suficiente para subir à tribuna e abrir seu sigilo bancário e telefônico VOLUNTARIAMENTE, quando os primeiros sinais desse complô vieram à tona? Quais os motivos que levam a imprensa a manchar inconseqüentemente a imagem de um homem público somente baseada em suposições espaças acerca de um episódio ainda não concluso?

São essas perguntas que devem nos fazer refletir e aqui vou respondê-las, uma a uma.

É mais que notória a atuação do senador Efraim no Senado Federal. Ele aparece todos os dias na TV, Rádio e Jornal do Senado defendendo os interesses da Paraíba e do Brasil, quase não deixa o plenário, diferentemente de muitos que mal aparecem por lá.

Nunca houve, até então, sequer um episódio que envolvesse o Senador em um escândalo político ou administrativo. Será que basta a imprensa jogar uma manchete irresponsável em suas páginas para que todo o histórico de um cidadão seja esquecido?

Será que, se o Senador temesse algo, ele convocaria uma reunião com o superintendente da Polícia Federal para permitir a abertura dos seus sigilos bancário e telefônico? Acho difícil!

Já, quanto aos motivos da imprensa são diversos: O nome do Senador Efraim está em evidência o tempo todo, porém matérias positivas não vendem jornal. Qual seria o interesse de colocar na primeira página do Correio Braziliense a manchete “Primeiro-secretário comprova sua competência administrativa no Senado Federal e é o maior cotado para presidente nas eleições do próximo ano”. Isso não vende jornal. Melhor achincalhar irresponsavelmente. A gana do lucro sempre fala mais alto. Isso sem falar nos covardes manipuladores que vivem nos bastidores e vêm seus interesses comprometidos diante de uma administração séria. Por que será que o Correio da Paraíba não coloca em sua primeira página “Senador Efraim é o favorito para as eleições de 2010 e comprova experiência administrativa em cargo do Senado Federal”. Isso também não vende jornal. Sem falar nos interesses políticos subliminares.

Ora, paciência! Sensacionalismo e difamação têm limites!

Fiquem com Deus!

Domingo, 24 de Agosto de 2008

Esqueçamos Pequim!

Hoje acordei às nove da manhã em mais um domingo tranqüilo da minha vida, sendo hoje um domingo diferente, o dia do encerramento dos jogos olímpicos de Pequim. Já à mesa para o café da manhã, deparo-me com uma manchete em O Globo que me deixou estupefato e fez a semana começar decepcionante para todos nós brasileiros : “Cada medalha do Brasil custou R$ 53 milhões à União”.

Como é que pode!? Explico: A União gastou mais de R$ 690 milhões em esportes no último ciclo olímpico de quatro anos. Como diria nosso Presidente molusco: Nunca, na história desse País, gastou-se tanto com a preparação para uma olimpíada.

Hoje vejo que eu, que sempre tive a impressão que nosso País não investia no esporte e que nossos atletas eram verdadeiros guerreiros que superavam imensas dificuldades para tentar uma medalha, estava redondamente enganado. Os jogos findaram e o Brasil terminou com três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze. O País bronzeado terminou na vigésima terceira posição no quadro de medalhas, atrás de países como Ucrânia, Quênia e Etiópia.

De imediato recordei da coluna de Diogo Mainardi intitulada “A gente nunca chega até as finais”, na qual ele conta que “o aspecto mais gratificante de se torcer contra os brasileiros é que a gente sempre acaba ganhando. Cada medalha de bronze perdida pode ser comemorada como um triunfo. Mas nossos atletas em Pequim merecem ser festejados por algo muito mais transcendental do que o mero sucesso esportivo. Com suas humilhantes derrotas, eles ajudam a ratificar todos os estereótipos mais grosseiros sobre o Brasil e os brasileiros. O povo dócil. A cultura conformista. O caráter frágil. A personalidade titubeante. O espírito resignado. O pendor para ser eternamente café-com-leite. É reconfortante saber que o país nunca trairá nossas piores expectativas”.

É inadmissível tanto dinheiro gasto para um resultado pra lá de desastroso como este. Pelo jeito o Brasil pode até se tornar sede da olimpíada de 2016. Dinheiro pra gastar já vimos que temos. Só falta agora levantar a auto-estima dos nossos atletas para que os nervos não atrapalhem nas futuras competições decisivas.

Os jogos de Pequim serviram ao menos para mostrar ao mundo que a China não está para brincadeira. Superou os Estados Unidos no número de medalhas e reafirmam sua condição de candidata à próxima potência mundial, não só economicamente, mas também no tocante a superação dos limites físicos da humanidade.

Nós, brasileiros que temos sangue verde e amarelo correndo em nossas veias, esperamos um dia chegar lá para escondermos essas olim-PIADAS bem lá no fundo do baú de nossas más recordações. Como diria Charles Chaplin: "Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se atreve... A vida é muito para ser insignificante".

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Em todo lugar que se vai tem um paraibano

Ao firmar residência em Brasília que me dei conta do número de paraibanos que estão espalhados no Brasil e no resto do mundo. Em minha primeira semana fora do meu Estado encontrei, coincidentemente, diversos conhecidos. Digo coincidentemente pois sequer sabia que alguns deles residiam na Capital Federal.

Cheguei a me lembrar de uma viagem que fiz há algum tempo atrás:

Estava eu na imensidão dos corredores do Louvre, rodeado de turistas orientais com suas inquietas máquinas fotográficas, ansioso para ver de perto a Monalisa e a Vênus de Milo, quando, de repente, ouvi uma voz: - Higino!!! Fiquei quieto, achando impossível que fosse comigo. Passando um pouco mais de tempo ouvi a voz novamente, desta vez bem mais próxima. Resolvi olhar para ver do que se tratava. Pois bem, a voz realmente gritava meu nome. Era um colega que estudara comigo no curso de História do Unipê, há muito tempo atrás. Pode uma coincidência dessas!? Será que tem paraibano espalhado por aí!?

Outra coincidência intrigante foi o fato de que, após algum tempo em Brasília, eu descobri que o proprietário do apartamento que eu aluguei para a minha primeira morada é de Souza. Não bastasse isto, com um pouco mais de tempo descobri que ele era um dos principais personagens de um causo que ficou conhecido em todo o Brasil através da música “Puteiro em João Pessoa”, da banda Raimundos, que fez grande sucesso algum tempo atrás.

Para refrescar a memória transcrevo aqui um trechinho da música: “A vida me presenteou com dois primos já marmanjos. Um, muito justo, era o Augusto e o safado era o Berssange”. Pasmen! O muito justo era meu locador! Graças a Deus! Ruim seria se fosse o safado!

Nas semanas subseqüentes e até hoje o cenário continua o mesmo. Encontro paraibano toda semana. Se não encontro paraibano, encontro parentes ou filhos de paraibanos. Cheguei até a brincar dizendo que ia fundar uma embaixada da Paraíba em Brasília, pois das minhas raízes não abro mão e muito me atrai a idéia de aproximar as pessoas que estão distantes da nossa terra. Quem sabe futuramente?...

Diante de tantos encontros passei a me perguntar constantemente o que leva tantos conterrâneos a deixarem para trás a nossa pacata terrinha. Será que é exatamente esse “pacata” o maior responsável? - Sei lá.

Há quem diga que a distância física é uma das melhores maneiras de aproximar as mentes. Assim o penso. Desde que saí da Paraíba passei a conhecê-la melhor e saber mais do que por ali se passa. Repete-se aqui a velha história que conta que o real valor só é dado quando se perde. Comigo aconteceu isto.

O solitário José Américo de Almeida dizia que “A saudade é um pouco da incerteza da separação”. Concordo plenamente. Minha saudade é exatamente fruto da plena convicção de não ter me separado por completo da minha terra.

Rogo aos que têm algum poder na nossa Paraíba que procurem fazer um Estado melhor para que este êxodo diminua. Torço para que o ato de ultrapassar as fronteiras do nosso Estado passe a ser sempre um passeio, não uma obrigação como para muitos é.

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

O Centenário do Dr. Higino Brito


Por esses dias atentei para uma data que se aproxima e deve ser lembrada por todos os paraibanos. Acontece que no próximo dia 11 de agosto o imortal oftalmologista Dr. Higino da Costa Brito comemoraria o centenário do seu nascimento.

Além de oftalmologista, era também especializado em Tracomologia e Administração e Organização Hospitalar; foi interno do Pronto Socorro e auxiliar-acadêmico do Serviço de Vacinação do Departamento Estadual de Saúde de Pernambuco. Em João Pessoa, além do atendimento em seu consultório, ele trabalhou na Inspetoria Sanitária Escolar e Departamento Estadual de Saúde da Paraíba; exerceu atividades nos Institutos de Previdência (IAPETEC, IAPC, IPASE, IAPI, INPS); trabalhou no Pronto Socorro, na Santa Casa de Misericórdia e no Instituto de Medicina Legal. Era professor universitário, jornalista e escritor.

Dr. Higino sempre foi uma figura de presença marcante nos mais diversos campos da nossa sociedade. Da mesma forma em que discorria muito a vontade entre as linhas da sua coluna diária do Jornal A União, intitulada A Cidade e a Rua, também era presença obrigatória nos mais concorridos salões da Capital, ao lado de sua eterna Ubalda.

No âmbito cultural ocupou os mais relevantes postos: Foi membro do Conselho Estadual de Cultura; sócio-correspondente da Academia Sergipana de Letras; Membro da Academia Paraibana de Medicina; Assumiu a Cadeira na Academia Paraibana de Leras, em 1944, sendo recepcionado pelo acadêmico Oscar de Castro, tendo, mais tarde, chegado à Presidência da Casa, cumprindo um mandato de dois anos.

Da sua casa e consultório na Praça São Francisco, participou ativamente dos bastidores da política e da cena intelectual do nosso Estado. Foi um paraibano que nasceu e morreu na Paraíba, que até hoje é lembrado por muitos pelas idéias firmes e pelo trabalho que desempenhou nos meios acadêmicos e intelectuais.

Próximo dia 11, portanto, prestemos uma homenagem a este grande homem que tanto colaborou com nossa história e crescimento cultural.

Segunda-feira, 28 de Julho de 2008

A carência dos monumentos

Esperando o sono chegar diante do computador em uma dessas noites intermináveis de insônia, deparei-me com uma notícia cujo assunto me chamou bastante atenção. Tratava-se do programa de adoção de monumentos públicos no Rio de Janeiro. Lá existe um programa da prefeitura que, a meu ver, deveria ser adotado em todo o Brasil de forma ampla e bem divulgado.

O programa de adoção de monumentos e espaços públicos é uma verdadeira arma para os cidadãos que preferem passar por cima da boa vontade e da burocracia municipal para fazer a sua parte. Pelo programa é possível que cidadãos comuns ou empresas adotem desde estatuas, praças, parques, calçadas, canteiros e até arvores.

O raciocínio base da fundamentação do programa é que não dá para esperar que a prefeitura dê conta de fiscalizar e controlar todos esses espaços e monumentos. A burocracia não permite agilidade nessa manutenção advinda da administração pública.

Um processo para fazer a manutenção de um espaço público em particular pode levar alguns meses. É preciso abrir licitação, fazer um projeto, levantar verbas, etc. O processo de adoção, no entanto, é bem mais ágil e os adotantes ficam responsáveis pela manutenção daquele local sendo os seus gastos descontados de impostos. Para o acompanhamento da adoção existe um fiscal nomeado que funciona como uma espécie de assistente social da coisa pública.

No programa de adoção do Rio não são apenas as pessoas físicas que podem adotar monumentos e espaços públicos. Depois de ver a estátua de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana, ter os óculos roubados pela quinta vez neste ano, uma empresa que fabrica lentes de contato resolveu apadrinhar a escultura, e assinará um convênio com a Prefeitura do Rio. Além da limpeza e manutenção, a empresa terá que recolocar a armação, de bronze, que custa três mil reais. Em contrapartida, eles poderão usar o espaço para fazer propagandas, discretas e que não interfiram na visualização global da obra, claro.

Acredito que se essa idéia fosse implantada em nossa Paraíba teríamos uma cidade mais charmosa. O obelisco da Praça da Independência não mais seria o eterno mural dos pichadores, a estátua de Epitácio Pessoa não mais apontaria para um local diferente a cada semana, o pavilhão do chá não mais seria alvo de negociações escusas noturnas, a “Praça da Gala” poderia ser mais iluminada acabando com o ofício diário das que ali fazem o pão de cada dia e o parque Sólon de Lucena poderia ter a sua lagoa constantemente limpa, com sua fonte funcionando a pleno vapor e batizando, com suas águas, os turistas que a forem conhecer.

Deixo aqui essa sugestão partindo da premissa de que quando o projeto é bom e de interesse comum não se deve ter receio de copiá-lo. Expandindo o alcance dessa idéia ganhamos todos: Eu, você, nossos olhos, nossas mentes, os turistas, a economia e, principalmente, as próximas gerações que poderão contar com a manutenção da história refletida nos recantos notórios da nossa fantástica terrinha.

Posso estar meio desinformado e é bem possível que já exista coisa parecida em João Pessoa. Espero que sim. Em havendo, constata-se a total falta de divulgação e incentivo. A falta de publicidade pra uma causa dessas é tapar o sol com uma peneira.

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

João Dantas: Suicídio ou Assassinato!?

"Fique certo que nenhum Dantas se amedrontará nem se humilhará diante vosso capricho... Sou forçado lembrar, sem estardalhaço tão do agrado do vosso temperamento teatral, que felizmente tendes filhos, e juntamente com eles responderais pelo que sofrer a minha família."

(de um telegrama de João Dantas a João Pessoa)

"A procura do seu difamador percorria as ruas do bairro comercial. Depois de varejar todos os recanto veio encontrá-lo, sentado, em uma roda de amigos, na "Confeitaria Glória". Dominando a exaltação, natural do momento, controlou seus nervos que os sabia dominar. Enfrentando seu rancoroso inimigo, teve a altivez de lhe dizer quem era o autor do fim dos seus dias - "João Pessoa, sou Dr. joão Duarte Dantas, a quem tanto injuriaste e ofendeste" - e isto lhe dizendo, por três vezes lhe descarregou a arma, para ele amiga, porque lhe pareceu que, naqueles disparos que o fizeram tombar, caia também o peso da inclemencia que tanto o oprimia, e assim tinha, novamente, limpa a sua honra que, ignobilmente, fora tantas vezes ultrajada."

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"... Eu agi porque me afrontaram ao extremo, e o fiz sem ouvir a ninguém, por minha mão, por minha responsabilidade exclusiva..."

(de uma carta de João Dantas escrita da prisão, em Recife)

- "Mas Dr. Dantas, o Sr. cometeu o maior crime do mundo!"
- Sim, Dr., depois que recebi a maior afronta do universo"


(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

"E, as 15h00 e mais alguns minutos eram barbaramente sangrados, miseravelmente mortos, na penitenciária do Recife, o engenheiro Augusto Moreira Caldas e o Dr. João Duarte Dantas. Trucidavam, os canibais, duas indefesas criaturas!"

(do livro "Porque João Dantas assassinou João Pessoa")

Tirem suas próprias conclusões!

Imagens retiradas do Livro 'Por que João Dantas Assassinou João Pessoa' e colhidas no site http://www.princesapb.com/.

João Duarte Dantas

"Foto original de Louis Piereck, tirada logo após o

assassínio de Dantas e Caldas na Penitenciária do Recife."

"Foto ´oficial´, também de Piereck, tirada por imposição da polícia. Nela o cadáver de Dantas encontra-se em nova posição, a fim de ocultar as contusões da testa e face."

"O ferimento na testa de João Dantas aparece em destaque, desmentindo a versão de suicídio"

Domingo, 20 de Julho de 2008

Cutucando o cão com vara curta

por Hilário Vieira Filho – Advogado e Economista (in memorian)

Sou da safra de 1947. Desde que nasci tenho escutado uma única história sobre João Pessoa – a de que ele foi um grande homem, um grande estadista, um verdadeiro agente de mudança, tendo sido o responsável pelo início do processo de modernização da Paraíba.

Com 51 anos de idade e alguns quilômetros de leitura, eu me pergunto: terá sido João Pessoa tudo aquilo que a história descreveu? A minha dúvida é de toda uma geração, daí porque estou interessado em perscrutar o passado para esclarecê-la.

O que levou o presidente João Pessoa a Recife, algum assunto de estado a ser resolvido naquela capital? Teria sido uma viagem de lazer, tanto assim que ele foi assassinado no “Glória”?

Sei que João Dantas era um homem de bem, excelente advogado e até prova em contrário, teve razões pessoais, dentro dos padrões morais da época, para matar João Pessoa..., depois que recebeu a maior afronta do Universo, como ele próprio se expressou, ante a afirmativa de que havia cometido o maior crime do mundo! Por que anatematizá-lo perante a história?

Já não é tempo de se escrever a história verdadeira, decorridos quase 70 anos do delito do “Glória”? Não se trata mais de discussão entre perrepistas e liberais. Uma força maior deve nortear o caminho da verdade, com isenção de ânimo.

De acordo com a lição de Samuel Taylor Coleridge, “a paixão cega nossos olhos, e a luz que a experiência nos dá é a de uma lanterna na poupa, que ilumina apenas as ondas que deixamos pra trás”.

Excluída a emoção do momento histórico, sem sacrificar a obra edificada pelo homem, João Pessoa pelo que fez, merecia ser nome da capital do estado, anteriormente chamada de Paraíba? Por que Brasília não foi chamada de JK, Nova Iorque de Kenedy ou, mais recentemente, por que ninguém sugeriu trocar o nome de Londres por Diana?! Ou o de Calcutá, por Madre Tereza?!...

João Pessoa foi mesmo o “vulto” que inspirou o hino em seu louvor? São algumas das indagações feitas pela minha geração, que não viveu a Revolução de 30 e teve que se sujeitar à interpretação histórica dos vencedores.

Diante dessas considerações, o que devo ensinar aos meus filhos? Que João Pessoa foi um grande homem, com o nome espalhado em tudo quanto é rua e praça do País, enquanto que João Dantas foi o bandido, sanguinário, autor de um crime perverso, frio e covarde?! Por que ninguém até agora teve o interesse em dissecar os reais motivos que levaram-no a praticar “tão hediondo crime”? Terá sido receio de desagradar à corrente vitoriosa?

O crime de João Dantas foi superior ao somatório de todos os crimes praticados por Lampião? Não é tempo de se parar pra pensar, senão repensar a história? Se a minha geração não alcançou esse privilégio, por que negá-la à dos meus filhos?

Tudo isso me veio à mente, depois que li “Por que João Danas assassinou João Pessoa”, de autoria do Dr. Joaquim Moreira Caldas. Uma preciosidade bibliográfica, editada pelo Est. De Artes Gráficas C. Mendes Júnior, do Rio de Janeiro, pouco tempo após a Revolução de 30, e ao que parece, ausente da maioria das bibliotecas dos nossos historiadores.

Publicado no Jornal O Norte em 31/03/1998, página 02.

Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Eu, minhas memórias e o futebol

Nunca gostei de futebol e acredito ter motivos de sobra para isso. De herança, não recebi torcida por time algum e, pra completar, tenho um trauma de infância que até hoje me gera arrepios na memória.

Cresci ouvindo meu pai dizer que futebol era coisa de desocupado e que não conseguia entender tanta paixão em torno de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola. Sempre ouvi que era melhor ler um livro ou atualizar-me sobre o que anda acontecendo no mundo. “Um jogo de futebol são, pelo menos, noventa minutos malbaratados”, dizia ele. Às vezes eu discordava dessa teoria que é contrária a qualquer princípio da menos adequada psicologia infantil, pois no amanhã de uma partida decisiva, não importam os acontecimentos do mundo ou o livro que você está lendo, só se fala ou se comenta o placar e as jogadas da véspera. Fazer o quê?!

Na escola eu sempre era o último a ser escolhido paras as peladas das aulas de educação física do Pio X, me sobrando, geralmente, a forçada vaga de goleiro. Na linha, eu só atrapalhava os “craques”.

Vou contar meu trauma. Por favor, não riam!

Certa vez, quando eu fazia a 5ª série do primeiro grau, fui escolhido, como sempre, para goleiro. A bola rolando e eu lá, magrinho, perdido naquele universo retangular que me circundava quando, de repente, chega o ataque adversário. Por sorte o chute foi errado e a bola passou por cima da trave. – Ufa!!

Nem sabia eu o que estava por vir...

Após um chute por cima da trave sempre tem um tal de tiro de meta a ser batido. Pergunto a vocês, quem bate o tiro de meta? Pois bem, foi aí que eu engoli o meu “ufa!” e a tensão recomeçou.

Todos se organizando no meio de campo para receber meu super chute até que o pior aconteceu: Ao chutar, raspei na bola e quando meu pé voltou (pimba!), gol contra!

A reação foi imediata! Parecia que tinham aberto uma porteira e vinha uma boiada inteira em minha direção gritando: - Lincha!!! Ainda bem que sempre tive pernas grandes pra correr e consegui me livrar daqueles pequenos trogloditas que queriam me massacrar. Nunca mais joguei futebol!

Depois disso passei pro handebol, basquete até que resolvi parar com os esportes. Definitivamente não era a minha praia. Melhor continuar no exercício vocal das conversas paralelas escondidas de sala de aula e, na hora da educação física, atestado médico.

Julgo-me torcedor do Vasco da Gama e a única vez em que estive no Maracanã o vi ganhar do Flamengo de 3 x 0. Já basta. Minha mãe diz que é vascaína porque acha o uniforme do Vasco elegante. Pode? E eu só me digo vascaíno por conta dela.

Acredito que agora, tornando público os motivos da minha ojeriza ao futebol, eu não receba mais convites nas quartas-feiras para ver jogo em algum barzinho. Nada contra o lisonjeio dos convites, mas, de coração, prefiro chegar pro bate-papo após o término do segundo tempo. Afinal, os comentários da partida sempre ficam pro amanhã mesmo.

Fiquem com Deus!

Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

As fronteiras da significação

Uma das máximas que a vida me ensinou é que mesa de bar é uma verdadeira universidade, onde você conhece as pessoas sem qualquer máscara hierárquica e onde as mais variadas informações e experiências são debatidas. O tempero etílico e a atmosfera leve típica de um local onde geralmente todos têm como objetivo espairecer; salvo os que vão para afogar mágoas, são fundamentais incentivos subliminares para as mais inflamadas discussões ideológicas. Prova disso ocorreu por estes dias numa mesa de formação extremamente heterogênea: eu, um bem viajado médico, um brigadeiro de várias estrelas e sua esposa russa.

Conversa vai, conversa vem; cerveja vai, cerveja vem...

Falou-se de tudo um pouco: da lei seca que se tornou a grande manivela propulsora da renda dos taxistas, das eleições municipais que estão por vir, das proezas do presidente Lula, dos grandes JK, Niemayer, Lúcio Costa e a construção de Brasília, das novas tecnologias médico-científicas, das missões exteriores do exército brasileiro, da polêmica em torno do nome da Capital paraibana e, claro, piadas, maledicências e bobagens infundadas.

Ao falarmos sobre o lamentável resultado do provão realizado pelo MEC na maioria das universidades brasileiras nos últimos anos e chegarmos à conclusão de que o Estado tem que oferecer mais vagas e melhores condições e incentivos para seus jovens, foi citado o grande Rui Barbosa que disse: “Investir em educação é um empréstimo feito ao futuro, que será pago com usura; cujos juros crescerão em proporção indefinida.” Perfeita observação! Desde que não estivesse presente uma russa que pouco conhece do nosso idioma e dos nossos ícones históricos.

Depois que Rui Barbosa foi citado, a inquietação da nossa amiga ficou explícita. O não entender de como aquela expressão tinha parado no meio de uma conversa séria, por assim dizer, falou mais alto. Eu, como o único da mesa que não falava russo, boiei! A risadagem começou e minha imagem foi, aos poucos, se tornando o espelho do desconforto gerado pela falta de conhecimento daquela língua. Pedi que me explicassem.

Acontece que a expressão “Rui Barbosa”, em russo, quer dizer (pasmem!) “pinto de vira-lata”! (rsss)

Partindo da idéia de que na Rússia não é comum ter ouvido falar naquele grande jurista e que a complexidade daquela língua surpreende o restante do mundo, vocês devem imaginar minha inocência ao citá-lo. Após esclarecer que não era a minha intenção ofender e após muito riso, continuamos nosso bate-papo informal.

Mais adiante na cerveja, começamos a falar de filmes e livros. Ao elencarmos uma lista alguém na mesa falou: “Existem livros que deveriam ser leitura obrigatória para todos. Os livros têm o poder de mudar o mundo”.

Fiquei calado, parafraseando em meu subconsciente o poeta Mário Quintana, que certa vez falou que “Os livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”.

Claro que apenas pensei e fiquei na minha, bem caladinho! Pois, se Rui Barbosa em russo significa “pinto de vira-lata”, imagina Mário Quintana!
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A algazarra foi tamanha que até verso rendeu:
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Outro dia estava num bar
Com amigos a conversar
Tarde de sábado ensolarada
Cerveja daquela bem gelada
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A mesa comigo era dividida
Com uma turma pra lá de vivida
Um médico, um brigadeiro e uma russa
Um monte de idéia avulsa
.
Falou-se de tudo um pouco
Óbvios, absurdos e assuntos toscos
Chegando até ao intelectual
Assuntos para lá do anormal
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Ao ser citado Rui Barbosa
A russa interferiu na prosa
Não sabia se ria ou se ofendia
Diante de tanta ousadia
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Ao não entendermos o constrangimento
O brigadeiro esclareceu o acontecimento
A russa ficou estupefata
Rui Barbosa, em russo, é pinto de vira-lata

Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

As rosas como rosas

Não gosto de pensar nas rosas simplesmente como rosas, que murcham num pequeno intervalo de tempo. Gosto de pensá-las sob o prisma de quem as enxerga como símbolo significativo do mais amplo sentido do que o interior possa externar.

Há quem diga que quem muito ama geralmente é quem mais erra ao presentear, visto que a intimidade faz com que o receio da não aprovação fique de lado. Mas, para não corrermos esse risco conseqüente do excesso de amor, por que não presentearmos com rosas? Que são unânimes na aceitação.

Podemos imaginá-las sob diversos ângulos e deles tirar conclusões mil.

A sutileza das pétalas molestadas pelo orvalho bucólico, aos olhos do poeta, pode transformar-se metaforicamente no mais salutar suor lascivo que o amor profano pode transpirar. Essa disparidade absurda entre o tênue e o lúbrico é fantástica e estas frágeis flores nos permitem viajar por entre estes distintos universos.

Sob o olhar tendencioso do subconsciente piegas que trazemos em nossa personalidade temos os mais verdadeiros e válidos conceitos sobre esta flor nobre de essência. Tudo de bom se relaciona com ela: amor, pureza, fragilidade, reverência, respeito, felicidade, fascínio, paixão, etc. A variedade de sentimentos que as engloba é tanta que existe até um agrupamento por cores para melhor fazê-las entendidas. Discordo. Acredito que o significado não vem da cor, mas sim do momento em que é dada e da forma que assim é feito.
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O mestre Cartola já voltou ao jardim e se queixou. Censurou a sua própria queixa chamando-a de bobagem, visto que as rosas não falam, simplesmente exalam o perfume que roubam da sua amada.

Confesso que adoro as rosas e seus enigmas.

Despeço-me lembrando da "Rosa" de Pixinguinha. A mais linda tradução do poder enigmático que essas flores podem exacerbar. Uma grande obra de um compositor maior ainda!
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Fiquem com Deus!

Sexta-feira, 23 de Maio de 2008

As faces do PLC 122/2006

É grande o movimento nas últimas semanas em conseqüência da proximidade da deliberação em plenário do PLC (Projeto de Lei iniciado na Câmara) 122/2006, de responsabilidade da Comissão de Assuntos Sociais (CAS).

Para que a deliberação deste projeto seja concluída é aguardado o parecer final da senadora Fátima Cleide, que vem sofrendo grande pressão das mais variadas vertentes religiosas, através de seus líderes. Padres, bispos e lideranças evangélicas insistem na tecla da não aprovação do projeto ressaltando, exaustivamente, a defesa dos princípios da moralidade.

O projeto acrescenta um dispositivo à lei nº. 7.716, de 05 de janeiro de 1989, que define os crimes de preconceito de raça ou de cor, acrescentando à sua redação o crime de discriminação e preconceito contra a qualquer tipo de orientação sexual ou prática religiosa. Pela proposta, que já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, os cidadãos que discriminarem os homossexuais, os adeptos de qualquer tipo de prática sexual ou religiosa estarão sujeitos ao cumprimento de penas que podem chegar de dois a cinco anos de reclusão.

Acontece que, com a aprovação deste projeto, as igrejas não poderão mais pregar contra o homossexualismo, não poderão mais abominar as religiões que convergem de suas doutrinas e terão que pensar muitas vezes nos sermões que irão pregar. Daí a grande pressão.

Acredito que o Senado deve levar a aprovação deste projeto adiante. As pessoas não podem ser julgadas ou discriminadas pelo que pensam ou gostam de fazer. Em tempos de união estável entre pessoas do mesmo sexo, e em que é até permitido a adoção de filhos, é inadmissível esse tipo de discriminação. Como costumo dizer: é cada qual com seu cada qual. Em nossa conjuntura não cabe mais esse tipo de ideologia de marginalização.

A luta é parecida com a dos negros. Tempos atrás eles eram considerados raça inferior e eram frutos das mais absurdas injustiças. Hoje, muito embora ainda não tenhamos alcançado o ideal, os negros são respeitados. O princípio básico do entendimento do PLC é este. A opção sexual ou a crença religiosa não transparecem o caráter do cidadão tal qual a cor da pele.

Concordo que as opiniões contrárias devem ser respeitadas. Só não posso concordar que sirvam como base para discursos marginalizantes e preconceituosos. Martin Luther King disse: "Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele." Acredito que esse sonho ainda está um pouco longe de se concretizar, mas os primeiros passos foram dados. O raciocínio no que diz respeito a crença religiosa e a sexualidade é o mesmo. O que a lei encontra em sua frente não é a liberdade e sim a falta de respeito à individualidade alheia.

A cada dia damos mais um passo a caminho do total respeito à individualidade. A não aprovação deste projeto seria um retrocesso da liberdade coletiva da nossa sociedade e, quem anda pra trás é caranguejo.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Os presentes e suas entrelinhas

Hoje eu recebi um presente muito especial, que muito me emocionou, e que trazia consigo o seguinte cartão:

“Higino, velho amigo! Lembra daquele seu aniversário no Jangada Clube?! Acredito que fazíamos a 3ª ou 4ª série, não sei precisar! Mas lembro que esqueci o seu presente no ônibus que me levou à festa e nunca me perdoei por essa falha. Até hoje sou assim, me esqueço de tudo! Mas não esqueci que devia esta pra você. Receba atrasado o mesmo presente, com o imenso carinho de sempre."

Pois é, amigos! Hoje recebi este presente do meu amigo de infância, dos primeiros anos de escola, Diego Curvêlo. O presente é um jogo de Alquimia, um clássico da época que permite a execução de experiências que ensina a criança a desvendar alguns mistérios do mundo da química, enquanto se diverte. Toda criança da nossa geração queria este jogo e Diego sempre lamentou bastante por tê-lo esquecido na cadeira do ônibus. Uma bobagem infantil, visto que o que importa realmente em nossas comemorações natalícias é a companhia dos sinceros amigos.

Atualmente Diego reside em Angola, do outro lado do oceano, e há muito não tínhamos contato. A milagrosa internet nos reaproximou. Bendita internet.

O ato do meu velho amigo me fez parar e refletir sobre o significado dos presentes, tanto na perspectiva de quem dá como na de quem o recebe.

Os presentes têm a função simbólica de marcar momentos. É uma comunicação enigmática na qual estão expressos nossos sentimentos mais pessoais. Não é difícil perceber quando ganhamos um presente se a pessoa nos disse através dele: parabéns, você é querido ou eu fui obrigado e você para mim não significa muito. No caso do presente de Diego pude sentir, em absoluto, o verdadeiro significado do presente dado de bom grado.

Quando presenteamos, transformamos os objetos comuns em especiais, personalizamos o que compramos com os significados que estão embutidos na escolha. Presentes simbolizam pensamentos transformados em objetos e as funções para a qual foram destinados se ampliam, passando a representar, também, o que pensamos sobre a pessoa presenteada.

Deixo aqui meu grande e fraternal abraço ao meu amigo Diego Curvêlo, vulgo Diego Maradona. Pessoa de coração admirável, consciência límpida e bom humor invejável. Nunca imaginei receber tamanha homenagem no dia de hoje. Minha emoção diante deste presente fará parte das minhas memórias para todo o sempre.

Sábado, 10 de Maio de 2008

Dia das Mães

O dia das mães é sempre um dia especial. Um dia em que todos devem parar pra pensar na importância que as mães têm em nossas vidas e refletir sobre as nossas histórias reconhecendo, com reverência, os sacrifícios e renúncias feitas por elas em razão do nosso bem estar.

As mães são como as rosas: Sensíveis, frágeis e belas. Representam o amor e o carinho, muito embora tenham espinhos em seus caules para protegerem o seu broto, para mostrar a imponência necessária ao respeito e também para provar a todos que fragilidade não significa fraqueza. Assim são as mães.

Sou um privilegiado no tocante a esta questão, pois os exemplos de maternidade que circundam minha vida representam, em sua plenitude, o sentido literal do contexto no qual a palavra “mãe” deve estar inserida.

De um lado tenho Dona Gerusa, minha fantástica mãe, a quem sempre dei muito trabalho e de quem sempre obtive, em contrapartida, a compreensão absoluta sobre todos os aspectos e o incentivo ilimitado para todas as minhas decisões.

Do outro lado tenho minha irmã, Emiliana. Um exemplo de mulher, de mãe, de esposa e de amiga. Possuidora de um coração imensurável de onde tiro forças para superar os obstáculos que me são impostos pelo destino. Minha parceira, confidente e companheira para todas as situações, que me presenteou com a maior benção que eu poderia receber: minha sobrinha e afilhada, Ana Emília, a quem tanto amo.

Sou tão privilegiado que não posso me ater somente aos exemplos de dentro de casa. Tenho que lembrar das minhas “outras mães” que também ocupam um formidável espaço no meu universo como tia Mana, Cely e Mônica Lemos. Pessoas extraordinárias que representam muito para mim.

Usemos esse dia para identificar em nossas mães o amor que as fez, e faz, tomarem atitudes que quase sempre, aos nossos olhos inexperientes de filhos, não parecem interessantes. Devemos enxergar nossas mães como grandes responsáveis pelo que somos hoje, e pelo que poderemos nos tornar, não esquecendo de reconhecer que o livre arbítrio nos faz tomar as decisões que dão prumo aos nossos destinos.

Esta data requer incansáveis homenagens, requer louvor e, sobretudo, admiração para com estas mulheres de tamanha importância.

Encerro deixando milhões de beijos para todas, lembrando que a distância e a saudade somente fortalecem os meus sentimentos.

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Em questão: O nome da Capital e a bandeira do nosso Estado‏

Estamos vivendo um momento de grandes questionamentos sobre a continuidade, ou não, do nome da Capital paraibana. É engraçada a ignorância coletiva da grande maioria dos paraibanos no tocante a esta questão. É impressionante como as pessoas desconhecem a nossa história e sequer sabem quem foi João Pessoa, o que ele fez ou deixou de fazer e, até mesmo, as causas da sua morte. É raro ver alguém justificar o NEGO e as cores da nossa bandeira. Mais uma vez esta discussão está em evidência e, diante de tanta repercussão e opiniões controversas, resolvi redigir alguns fatos históricos para, com isso, poder levantar alguns questionamentos.

João Pessoa nasceu 1878, no município de Umbuzeiro, celeiro de grandes personalidades como seu tio Epitácio, que chegou à Presidência da República na década de 20, e também o grande Assis Chateaubriand. Em seu currículo, João Pessoa traz uma breve militância na advocacia, passou a Auditor da Marinha através de concurso publico chegando, após algum tempo, ao cargo de Auditor Geral; foi Ministro do Supremo Tribunal Militar e, em 1928, tornou-se Presidente do Estado da Paraíba, tomando o já então escritor José Américo de Almeida como seu braço direito.

João Pessoa foi assassinado em 1930, ainda no comando do Estado da Paraíba, por João Dantas, advogado que fazia violenta oposição ao seu governo, que teve seu apartamento invadido pela polícia provavelmente a mando do presidente paraibano. Livros, documentos e móveis de João Dantas foram queimados sem nenhuma explicação; cartas íntimas entre João Dantas e sua noiva Anayde Beiriz foram expostas em painéis. O jornal oficial, A União, publicou uma série de acusações gravíssimas aos seus familiares e, frente a tudo isto, João Dantas foi tomado pelo ódio que o conduziu ao Café Glória, na cidade do Recife, fezendo-o disparar vários tiros contra o presidente. Uma morte explicitamente passional, por motivos estritamente pessoais, frente à várias testemunhas.

O NEGO da nossa bandeira vem do verbo negar e remete ao fato de que João Pessoa, enquanto presidente da Paraíba, não aceitou o apoiar o então Presidente do Brasil, Washington Luís, que queria Júlio Prestes como seu sucessor. Ao romper com Washington Luís, João Pessoa apoiou Getúlio Vargas, de quem se tornaria vice-presidente. O NEGO de João Pessoa foi um gesto de altivez que teve repercussão nacional. Todos esses fatos desencadearam a Revolução de 1930, que culminou com a deposição de Washington Luiz.

A nossa bandeira foi idealizada nas cores vermelha e preta, sendo o vermelho a representação do sangue derramado por João Pessoa, e o preto, o luto por sua morte.

Diante das considerações supracitadas e das discussões sobre a manutenção, ou não, do nome da nossa Capital, levantemos as seguintes questões:

- Nós, paraibanos, merecemos ostentar involuntariamente este luto representado em nossa bandeira, que já dura quase 80 anos?

- Um assassinato por motivos pessoais e não pela revolução, sem qualquer ato de heroísmo e acontecido fora das nossas fronteiras, merece ter o sangue de sua vítima perpetuado no pano maior do nosso Estado?

- O NEGO, como ato puramente político, galgado explicitamente em conveniências políticas pessoais, merece ser tatuado no estandarte que representa o Estado das nossas raízes?

- Sendo a biografia de João Pessoa fazedora de jus ao fato de tê-lo como nome da nossa Capital, o que faremos para homenagear tantos outros paraibanos de grande, e por vezes até maior, relevância em nossa História?

Não estou desmerecendo ninguém tampouco quero apenas polemizar. Reconheço os feitos de João Pessoa na administração pública, reconheço sua luta contra as oligarquias, reconheço sua inflexibilidade e reconheço também a sua vontade de fazer com que as leis valessem para todos. O levante desses esclarecimentos e questões tem o intuito, somente, de tornar viva na memória de todos os paraibanos e de todos aqueles que têm raízes na Paraíba a nossa Historia e, com isso, fazer com que reflitam sobre essa questão que veio a tona nos últimos meses.

Parabenizo aqui o Mestre Fuba, grande porta bandeira desse movimento, por tornar presente este debate nos mais variados âmbitos de nossa sociedade ao mesmo tempo em que sugiro que proponha, como projeto de lei municipal, a obrigatoriedade da matéria História da Paraíba em nosso ensino fundamental.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Relicário

Existem textos e músicas que nos tocam profundamente e nos fazem tentar adivinhar o que passava na cabeça do autor na hora em que escreveu. Sempre defini a arte da poesia como sendo um dom que alguns já nascem com ele e que comparo a tosse ou a coceira - por mais que se tente, não tem como sufocá-las ou escondê-las.

O dom do poeta é transformar os mais variados sentimentos e situações abstratas em palavras reais que se identificam com os diversos tipos de leitor e que fazem com que ele pense, consigo mesmo, que o dito na poesia era exatamente aquilo que ele queria dizer e não conseguia.

Podemos citar uma lista enorme de nomes sagrados da poesia como Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Mário Quintana, Augusto dos Anjos, Gregório de Matos, etc. Mas resolvi falar de um poeta e uma poesia específica que me tocam bastante: Nando Reis e seu Relicário.

A melodia é linda e a letra é fantástica.

As variadas abordagens sentimentais, metafóricas e materiais se concatenam numa incrível mistura de idéias sincronizadas que nos faz refletir e parar pra pensar no quão rica é a mente humana que foi capaz de produzir algo de tamanha beleza.

Para mim, essa é a grande obra de Nando Reis.

Costumo brincar dizendo que se me fosse dada oportunidade de um pedido antes da morte, de certo seria que em meu velório fosse colocada uma versão dessa música, apenas orquestrada, de preferência pela Orquestra Sinfônica da Paraíba, ao fundo. Bem baixinho.

Já que este espaço não me permite colocar a música, paro por aqui apenas deixando a letra, que já é de grande valia.

Relicário (Nando Reis)

É uma índia com um colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A, de que cor?

O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou

E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou

O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor

Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrário ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for

Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou

O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor

O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que está fazendo assim?

Os Prós e contras da redução da Maioridade Penal no Brasil

Atualmente, os prós e contras da redução da maioridade penal no Brasil entoam diversas discussões nos mais variados âmbitos da nossa sociedade. Há os defensores ferrenhos com argumentos fortes e os opositores convictos sempre muito bem embasados.

Os favoráveis lutam para que a maioridade passe para 16 anos ressaltando sempre que, se o jovem nessa idade é pleno e capaz para votar e escolher seus representantes políticos, por que não podem responder pelos seus próprios atos e delitos? Há diversos exemplos de crimes cometidos por essa classe de jovens que responde somente com penas alternativas ou com internação em instituições de reabilitação. Eles defendem ainda a necessidade de se criar parâmetros que regularizem e defina de forma objetiva o tratamento desses infratores que não podem continuar protegidos pelas entrelinhas das nossas leis.

Já os opositores se baseiam nos princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente e afirmam que esta questão é indiscutível. Para eles a redução da maioridade foi a maneira mais fácil que as autoridades encontraram para livrar-se desse problema, visto que assistência social, orientação educacional e encaminhamento profissional são ações bastante complexas e não apresentam resultados imediatos. Ações de resultados não imediatos não são politicamente atrativas.

Ainda há muito que se debater no tratante a essa questão. Portanto, sugere-se um maior incentivo a debates e um maior comprometimento das autoridades competentes com esta causa que é de extrema importância para o futuro da nossa nação.

O trabalho como alternativa para inclusão social.

Na conjuntura atual e diante de tantas mazelas sociais que nos rodeiam, existe uma doutrina que defende ferrenhamente o pensamento de que a oferta de trabalho digno, com remuneração e condições adequadas, é a forma mais segura e eficaz de inclusão social, e justificam tal teoria com argumentos fortes e que deveriam transcender do teórico para o prático.

Esse ramo de estudiosos que defende tal doutrina ressalta que hoje ainda existe um conceito equivocado sobre a inclusão social que vislumbra somente os portadores de alguma deficiência física. A inclusão não é somente para estas pessoas e sim para todos que, de alguma forma, sentem-se excluídos e, como exemplo, podemos citar os pobres, negros, idosos, homossexuais, entre outros. Inclusão Social nada mais é que trazer aquele que é excluído socialmente por algum motivo, para uma sociedade que participe de todos os aspectos e dimensões da vida.

A partir do momento em que as autoridades se comprometerem a gerar empregos dignos e com remuneração no mínimo razoável para estas classes de excluídos, o quadro muda completamente, visto que tal ação abrange conseqüências bastante positivas que passam pelo o aumento da respeitabilidade, pela elevação da auto-estima e também pela independência que a auto-sustentação passa a oferecer-lhes.

O trabalho de conscientização sobre estes aspectos deve ser contínuo para com a população e também através da mídia. A cada um de nós compete a responsabilidade social de mudarmos este quadro em nosso país, buscando soluções para situações diversas. A inclusão social é certamente o caminho para mudarmos a imagem do mundo em que vivemos, que é palco de absurdas injustiças sociais.

Torna-se cada vez mais difícil viver nas grandes cidades.

Torna-se cada vez mais difícil viver nas grandes cidades, pois o trânsito está cada vez mais caótico, a violência está crescendo assustadoramente e, além do mais, a poluição em demasia prejudica diretamente a saúde de seus habitantes.

Muito embora os veículos tenham sido inventados e aprimorados para que seus usuários tenham uma maior facilidade de locomoção com conforto no dia-a-dia, o não planejamento adequado das ruas e avenidas das grandes cidades e, de certa forma, o descaso das autoridades competentes tem gerado absurdos transtornos e grandes perdas de tempo. A atual facilidade de crédito e o aumento do poder de compra da população não foram acompanhados pelo devido desenvolvimento estrutural, justificando-se assim esse caos constante.

Além disso, nos últimos tempos, a população tem sido tomada pelo medo da violência. O surgimento de poderes paralelos como as organizações do tráfico, a banalização do crime, a má remuneração da polícia e a falta de contingente policial são fatores fundamentais para esse crescimento que, aos nossos olhos, parece não ter solução.

Outra preocupação alarmante no convivo urbano é a poluição. A falta de programas educacionais que vislumbrem o tratamento com o lixo, a emissão de gazes poluentes pelos veículos e a falta de fiscalização nas grandes indústrias fazem com que a população sofra com diversos problemas de saúde. Isso sem falar nas conseqüências ambientais que tais devaneios podem gerar.

Em virtude do exposto, chegamos à conclusão de que os problemas que tornam difícil a convivência nas grandes cidades são, em absoluto, frutos de más administrações e da falta de comprometimento das pessoas com o seu meio. Cabe a nós fazermos nossa parte e lutarmos por uma maior conscientização coletiva.

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Aspectos conceituais e relativos da Vida

Existem pessoas que acham a vida engraçada, outras acham que ela, a vida, apenas as levam. Eu, particularmente, acho que não é nada disso, acho que vida é cheia de complicações e que os nossos destinos e missões são incógnitas extremamente obscuras que nunca iremos desvendar sem que chegue o amanhã.

Todo mundo já se perguntou: Por que será que vim ao mundo? Nada mais natural visto que o ser humano tem em sua essência a curiosidade.

Há boêmios que dizem que a vida é feita do hoje. Aí eu pergunto: O que será do amanhã senão fizermos de forma correta a tarefa de casa do dia de hoje?!

Surge uma nova questão: - O que é o correto?

Partindo do pressuposto de que o correto, para quem quer que seja, está enquadrado na cultura de cada um e diante de valores pré-estabelecidos na criação, chega-se à conclusão de que não existe o correto no sentido literal no qual Aurélio o descreve, mas sim, o que existem são conceitos pragmáticos de uma realidade que é formada ao seu redor.

Depois destas supostas definições e questões profundas, filosóficas e supostamente respeitosas frente ao que chamamos de cotidiano adequado, concluímos que tudo que se trata de conceitual nada mais é do que verdades absolutas oriundas da consciência e dos valores de cada um.

Em suma, devemos viver a vida de forma a não intervir na vida dos outros, e pronto! Nada além.

Domingo, 20 de Abril de 2008

Fábulas, dúvidas e conseqüências.

É impressionante a rapidez do giro do mundo e cabe a nós, meras peças desse mecanismo, acompanhá-la. Nunca se sabe onde fica o topo, até porque só o amanhã responderá o posicionamento do indivíduo. É fato que ascender geralmente é bom! Mas não podemos definir esta afirmação como regra, pois para isso, é preciso restringir referências e definir sob que aspecto das nossas vidas houve ascensão ou queda. A relatividade desse gráfico vital é complexa e infinda.

Ás vezes mínimos fatos ocorridos ou atitudes tomadas que passam desapercebidas geram conseqüências desastrosas diante do destino previsto e já assimilado pelo subconsciente. É preciso ter cuidado com tudo, inclusive com as minúcias do cotidiano. Um copo de água que se toma agora é responsável pela urina de daqui a pouco, um passo que se dá é parte de alguma trajetória, uma palavra que se fala pode ser parte fundamental para a compreensão de uma idéia, um cigarro que se fuma para saciar a vontade do agora é parte do câncer do amanhã, um remédio ingerido é o inicio ou tentativa de alguma cura. Tudo se concatena. Tudo se relaciona.

Experiências são vividas a todo momento e a cada segundo o mundo se transforma. Humberto Geissinger conta em uma das preciosidades de sua autoria o seguinte causo:

“- Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era um gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual.
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato.
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar!
Todos nós sabíamos décor
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal

Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula”.

Com os avanços do mundo atual, esse universo narrado na fábula de Humberto pode até se tornar real e as futuras gerações podem chegar a considerá-lo um dos profetas de nossa época, quem sabe?! No imaginário cabe tudo e nunca se sabe do que estar por vir.

As únicas certezas que podemos ostentar são que as incertezas sobre o mundo em que vivemos jamais irão acabar e que a morte nos aguarda, muito embora existam vertentes defensoras da vida eterna, mas isso é assunto para outro dia.

Sábado, 19 de Abril de 2008

Cego, Surdo e Mudo

“Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”. Ou seja, quem não lê é cego, surdo e mudo. É três vezes deficiente: não percebe, não compreende e não consegue dizer.

É fato que a leitura é a maior fonte para o alastramento da clareza dos nossos horizontes. São infinitas as possibilidades e formas que nosso subconsciente é capaz de construir diante de um simples texto ou descrição. Novos mundos tornam-se possíveis e as mais toscas fantasias podem transformar-se em grandiosas odisséias vistas pelos olhos sublimes do mais humilde conhecimento.

Quem não lê limita-se ao ouvir falar e também não discernir sobre qualquer situação que lhe seja favorável, ou não. A surdez da ignorância sopra como maldição nos ouvidos dos menos favorecidos de riquezas literárias que, por sua vez, são fadados ao consolo do que lhe é sugerido pelo meio.

A falta de embasamento teórico e de argumentos sólidos sobre qualquer tema cala, irremediavelmente, qualquer tentativa de levar o mais simples diálogo adiante. Sem literatura não há discussão, não há defesa, não há respeito. O fazer-se ouvir torna-se impossível visto que o vazio das idéias é sobreposto pela desatenção alheia.

Portanto, o indivíduo que é poupado, forçada ou voluntariamente, do fantástico mundo das letras, sofre conjunta e metaforicamente das mais assombrosas moléstias naturais: A cegueira, a surdez e a mudez. No entanto, conforta-nos saber que tais deficiências têm cura. A alfabetização, a leitura em demasia e o livre acesso à informação são as milagrosas chaves que libertam a todos deste cárcere imposto pela limitação do intelecto.

Três paixões

“Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade”.

Um dos maiores anseios do homem é, sem dúvidas, o amor. O amor é condição sine qua non para a plenitude da alma e para a totalidade da satisfação. Comigo não foi diferente. Circulei por varias realidades, conheci tudo o que podia, corri o mundo, estive em vários braços até que, enfim, encontrei o aconchego do colo eterno. Com este encontro não veio apenas o conforto da busca saciada, mas também a descoberta do quão simples e cúmplice é a vida a dois. Nesta descoberta também concluí que o amor não é um sentimento singular e sim um sentimento que se pluraliza com a amizade, com o carinho, com o respeito e com o companheirismo. Não há verdade no homem que se diz só e feliz. Encontrei o meu amor e hoje sou feliz pelo simples fato de poder compartilhar minha vida.

Mas, não só de amor vive o homem. É preciso alimentar a mente para, assim, fazermos germinar em nosso interior a sabedoria do discernimento. Não acredito em receios ou preconceitos sobre qualquer tema. Toda informação tem lá sua validade. Já quis ser economista, historiador, analista de sistemas, produtor cultural e até advogado. Hoje me pego aqui cheio de opções e ao mesmo tempo sem nenhuma. A única certeza que tenho é a de que o que está na minha cabeça ninguém pode tomar e, certamente, terá alguma serventia na hora em que o destino julgar adequada. Para o futuro, meu presente apenas pode afirmar que é incerto.

Também não podemos deixar de lado a ressalva de que para vivermos felizes e em plena harmonia é preciso olhar para a coletividade. Está cada vez mais escassa a solidariedade com o próximo e não podemos nos render a esta adversidade inconsciente. A piedade tem que ser exaltada para assim combatermos o sofrimento alheio e, com isso, alcançarmos o bem estar que a natureza humana tanto almeja.

Portanto, na vida não há manual a seguir tampouco regras a serem obedecidas. Temos que procurar nossa paz interior sem esquecer de quem nos rodeia ao mesmo tempo em que temos que seguir nossos instintos sem medo de errar. Para as escritas da vida não há borracha, cabe a nós aprendermos a lição das rasuras que deixamos em nossa história.